ANTROPOMORFIZAÇÃO

5/15/20262 min read

[01] Forma antropomorfizada: maneira prática dos povos de cultura primitiva compreenderem os fenômenos da Natureza, os misteriosos e imprevisíveis comportamentos do Ser-Humano, e os contingenciais acontecimentos do Mundo. Desde tempos imemoriais, os humanos, ao se defrontarem com as forças da Natureza e as coisas do Mundo, e, para melhor entendê-las e melhor conviver com elas, tranformou-as, de acordo com seus conhecimentos e delírios místicos, em imagens humanas – em deuses e semi-deuses – pois, dessa maneira, esperavam saber como lidar com aquelas ditas forças, e melhor compreendê-las. Assim, as características e os feitos desses deuses representavam os fenômenos climáticos, os rios, mares, florestas, o céu e o inferno. Da mesma forma, antropomorfizaram os diversos comportamentos humanos, seus defeitos e virtudes, seus vícios, desejos, amores, ódios, morte etc, sob a forma de lendas, vividas por esses mesmos seres antropomorfizados – os deuses, e também por outros seres híbridos, como os centauros, sátiros, cíclopes, sereias etc. Assim, para cada coisa da natureza, para cada faceta e comportamento humano, existia uma criatura que os representava, com suas histórias, atos e características próprias. Desse modo foi feito pelos egípcios, babilônicos, gregos, romanos, e pelas religiões do Livro. E foi assim que surgiram os deuses, anjos e demônios nesse nosso pequeno, frágil e ingênuo Mundo, ... nesse Mundo ... de Deus, e de deuses! Esse processo, o de transformar os fenômenos naturais e objetos da natureza em figuras humanas chama-se, portanto, antropomorfização. Apenas à guisa de comentário, deve-se ressaltar que, no nosso mundo ocidental, depois do advento do Cristianismo, as religiões que utilizavam o recurso da antropomorfização clássica foram consideradas, de uma forma geral, pagãs, e seus deuses, quase sempre tidos como demônios – e o culto a esses deuses, obviamente, foi considerado mera idolatria, heresia, e proibidos. Só que a própria religião cristã, a Católica, adotou, como todo mundo sabe, igualmente, a sua própria idolatria e seus fetiches (condenando os dos outros, claro!). Essa idolatria católica é representada, claramente, pelos milhares de santos que existem por aí. Tem santo, ou santa, para tudo, e tem igreja para cada santo – afora os anjos, demônios, íncubos, súcubos e outros familiares que pululam por todos os cantos na doutrina cristã. Tudo igualzinho à idolatria e o fetichismo pagão. «Faça o que eu digo, mas não faça o que faço»...